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Por Que Não É Possível Viver Sem Ansiedade

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  Há quem acredite que viver sem ansiedade seria o ideal. Imagina-se uma vida leve, sem angústia, sem apreensão, como se a serenidade permanente fosse sinônimo de equilíbrio. Mas na realidade, o ser humano não vive sem ansiedade, ela é parte do tecido da existência, uma pulsação inevitável da vida psíquica. A tentativa de eliminá-la por completo seria, em certo sentido, negar aquilo que nos torna humanos. Freud já indicava que a ansiedade é um sinal do eu , uma espécie de alarme interno que anuncia um perigo real ou simbólico que ameaça o equilíbrio psíquico. Ela surge quando algo do inconsciente se aproxima demais, quando um desejo recalcado tenta atravessar o limite da consciência. É o corpo e a mente reagindo à iminência do que não se pode controlar. Assim, a ansiedade não é inimiga: é uma mensageira do inconsciente, uma forma de comunicação entre o que sabemos e o que preferimos ignorar. Lacan, por sua vez, acrescenta uma nuance decisiva: a ansiedade não engana . ...

A Ansiedade e o Tempo.

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  Quando o Passado e o Futuro Se Tornam Prisões do Desejo. A ansiedade é, talvez, um dos afetos mais comuns e, ao mesmo tempo, mais enigmáticos da experiência humana. Ela se manifesta como uma inquietação constante, uma sensação de que algo está prestes a acontecer, mesmo quando nada de concreto se apresenta diante de nós. O médico neurologista dr. Sigmund Freud observou, desde os primeiros tempos da psicanálise, que a ansiedade já estava profundamente ligada à relação do sujeito com o tempo, com o passado que o marca e o futuro que o ameaça. Já o dr. Jacques Lacan, ao retomar essa ideia, propôs que a angústia é o único afeto que não engana, pois ela indica a proximidade do desejo e do real, aquilo que escapa à simbolização e rompe a linearidade temporal. Muitas pessoas em crise de ansiedade permanecem presas a um padrão inconsciente que as leva a buscar, de forma repetitiva, um tempo que já passou, um momento da vida em que acreditam ter sido mais felizes, mais seguras, mais...

O Medo do Desconhecido: O Que Acontece com o Sujeito Quando Suas Certezas São Rompidas?

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Uma reflexão psicanalítica sobre medo, angústia, fantasia e a necessidade humana de compreender aquilo que não consegue controlar. Imagine que amanhã os astrônomos anunciem a descoberta de um fenômeno vindo de muito além do nosso sistema solar.  Não uma simples pedra vagando pelo espaço, mas algo cuja natureza ainda não conseguimos compreender. As primeiras perguntas provavelmente não seriam científicas. Seriam humanas. É perigoso? Pode atingir a Terra? Estamos seguros? O que isso significa? Quem sabe realmente o que está acontecendo? E talvez uma pergunta ainda mais inquietante surgisse depois de todas as outras: O que aconteceria conosco se aquilo que acreditamos conhecer sobre a realidade deixasse de ser suficiente para explicar o que está diante de nós? É nesse ponto que os cometas, asteroides e visitantes interestelares deixam de ser apenas objetos astronômicos e podem se transformar, neste texto, em uma metáfora para pensar o sujeito diante do desconhecido. Não se trata de af...

Como Apagar Memórias Ruins.

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  Apagar Memórias:  A Verdade Que Ninguém Conta. Quem nunca desejou apagar da mente algo que doeu demais? Uma traição, uma perda, uma humilhação, um trauma. É comum termos esses pensa mentos. “Se eu pudesse esquecer isso, minha vida seria bem mais leve.”   Não é à toa que tantos livros, filmes e até promessas milagrosas vendem a ideia de que existe uma forma de deletar lembranças ruins, como se nossa mente fosse um computador com a tecla delete . No senso comum, esse desejo é tão forte que se fala até em pílulas capazes de apagar memórias, terapias instantâneas que garantem “cura rápida” ou técnicas que prometem um desligamento emocional definitivo. Mas será que isso existe mesmo? A ciência, a psicologia e, especialmente, a psicanálise nos mostram outra realidade. O que vivemos não se apaga simplesmente . E aqui não é para desanimar você. Pelo contrário. A boa notícia é que, embora não possamos “deletar” lembranças como quem apaga uma foto do celular, exis...

Porque Repetimos o Que Nos Machuca?

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Talvez você já tenha se perguntado mais de uma vez. Porque essa cena se repete? você sabe que algo não vai te fazer bem, você já viveu essa história antes… e, ainda assim, quando vê, está lá outra vez. Pode ser um relacionamento que machuca, uma escolha que te prende ou até uma palavra que você solta e depois se arrepende. E aí vem aquela sensação de raiva de si mesmo, aquela voz interna dizendo. “Eu sabia, eu não aprendo nunca” . Mas deixa eu te dizer uma coisa. O fato de você repetir algo que te machuca não significa que você é fraco, que não tem força de vontade ou que está “estragado” por dentro. Não significa que “não tem jeito”. Na verdade, isso mostra que dentro de você existem histórias, lembranças, emoções e até feridas que às vezes tomam o volante antes mesmo que você perceba. É como se houvesse uma parte sua que conhece certos caminhos tão bem que, sem pensar, te coloca neles de novo. O problema é que esses caminhos, mesmo sendo conhecidos, podem estar cheios de ...

O Eleitor: Entre a Liberdade de Escolher e o Desejo de Acreditar.

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Escolher parece, à primeira vista, uma das manifestações mais simples da liberdade humana. Uma reflexão sobre a história do voto, o poder das promessas e aquilo que acontece dentro de nós quando escolhemos em quem acreditar. Diante de algumas possibilidades, observamos, comparamos e decidimos. Na política, essa decisão recebe um nome conhecido: voto. Mas será que escolher é realmente tão simples? Quando o eleitor deposita seu voto em um candidato, não está apenas apertando alguns números em uma urna. Está transferindo, ainda que temporariamente, uma parcela de sua confiança para alguém que pretende exercer uma função pública em seu nome. O voto carrega, portanto, algo maior do que uma preferência. Carrega uma expectativa. Carrega esperança. Carrega desconfiança. Carrega medo. E, algumas vezes, carrega até mesmo o desejo de que alguém possa realizar aquilo que o próprio sujeito não consegue realizar sozinho. Talvez seja por isso que compreender o eleitor seja muito mais complexo do que ...